"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fim de noite

Quando todos já estavam cansados e bêbados, e aquela casa toda suja convidando todos para sair, havia um garoto rindo e conversando conosco, do meu lado. Na verdade, ele havia chegado apenas alguns instantes antes do fim. Ele segurando sua bicicleta, sóbrio, parecia indiferente, porém feliz.

Com todos até o final da rua fui seguindo, com uma certa dificuldade de locomoção resultada de uma felicidade patética que tenho alimentado por alguns anos, quase precisando de alguém para me segurar. As pessoas riem quando fico nesse estado, porque, afinal, sou um bêbado até que divertido.
Cada um para o seu canto, caminhos diferentes e possíveis paradas para fazer coisa errada, mas eu já na esquina quis saber se o bar estava aberto. Pra quê ir pra casa agora? Todos se foram.

Todos se foram, mas ele continuou do meu lado. Eu não sabia seu nome ainda. Tentei dizer algo: "e agora, como você vai emb..." e um beijo me interrompeu. Não, não foi simplesmente um beijo, afinal mais tocou em mim como um abraço e envolveu como se eu precisasse daquele equilíbrio.

- Por que você fez isso?

- Porque eu quis.

- Eu não sabia.

- Você acha que eu nunca faço?

- Então faça de novo.


- Não.



Dissemos mais algo irrelevante, talvez, e ele foi embora. E o bar estava fechado.