É muito engraçado lembrar de algumas coisas, e de como elas mudaram.
É incrível lembrar de quando eu percebia que você estava fazendo coraçõezinhos na mesa molhada do bar.
É incrível lembrar de quando você foi de bicicleta me ver na chuva.
É incrível lembrar de quando você deu seu primeiro beijo em público naquela escada rolante.
Eu estou colecionando fantasmas.
Rascunhos
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Não tem problema em ser um sonhador.
Nenhum problema.
Eu te deixo sonhar, o quanto você quiser. A gente pode até sonhar junto, que não tem problema.
A gente pode inventar um milhão de coisas e não fazer, ou melhor ainda se a gente as fizer.
Mas pode sonhar comigo sim, porque andar nas nuvens com você é bem melhor do que imaginar qualquer coisa sozinho.
Posso tentar imaginar um céu mais forrado de estrelas que me for possível, mas se não tem sonho, não tem nem céu.
Porque eu gosto mesmo é de gente assim, com ideias nebulosas, com esse toque de confusão.
Eu gosto é de tomar banho na tempestade de sentimentos, mas o melhor mesmo é quando a gente sonha, quando a gente inventa, quando a gente cria.
Gosto de quando você me beija porque acha novidade, porque o que é novo pra você talvez nem seja tão novo pra mim. E é isso que me surpreende.
Então a gente pode passar o dedo pelo céu e carregar todas essas estrelas e colocar no bolso pra ver se elas brilham mais tarde, porque por ora o céu está limpo.
E deixa estar, não tem problema. A gente espera, a gente aguarda até quando o mundo girar e suas polaridades (não do mundo, mas as suas) estiverem alinhadas outra vez.
Nenhum problema.
Eu te deixo sonhar, o quanto você quiser. A gente pode até sonhar junto, que não tem problema.
A gente pode inventar um milhão de coisas e não fazer, ou melhor ainda se a gente as fizer.
Mas pode sonhar comigo sim, porque andar nas nuvens com você é bem melhor do que imaginar qualquer coisa sozinho.
Posso tentar imaginar um céu mais forrado de estrelas que me for possível, mas se não tem sonho, não tem nem céu.
Porque eu gosto mesmo é de gente assim, com ideias nebulosas, com esse toque de confusão.
Eu gosto é de tomar banho na tempestade de sentimentos, mas o melhor mesmo é quando a gente sonha, quando a gente inventa, quando a gente cria.
Gosto de quando você me beija porque acha novidade, porque o que é novo pra você talvez nem seja tão novo pra mim. E é isso que me surpreende.
Então a gente pode passar o dedo pelo céu e carregar todas essas estrelas e colocar no bolso pra ver se elas brilham mais tarde, porque por ora o céu está limpo.
E deixa estar, não tem problema. A gente espera, a gente aguarda até quando o mundo girar e suas polaridades (não do mundo, mas as suas) estiverem alinhadas outra vez.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Paradiso Perduto
Era como se fosse uma estufa com todas aquelas vidraças deixando alguns fechos de luz invadirem o local, com aquela vegetação típica dos mais belos lugares abandonados.
Gostava de entrar ali e ficar admirando algumas representações que foram feitas de amantes passados. Eram inúmeras estátuas espalhadas pelo salão cheio de folhas e cada uma carregava o seu mais nobre significado.
Por mais claro que por fora estivesse aquele jardim, do lado de dentro da estufa uma penumbra muito acolhedora reinava no ambiente, enquanto os meus passos lentos percorriam o local.
Dentre todas aquelas estátuas, passei anos admirando uma que deixava, por algum motivo, algo muito especial. Este era um rapaz bastante magro, que nada segurava em suas mãos, e usava uma camiseta extremamente simples. Tinha olhos grandes e um rosto que se confundia entre dezessete e dezenove anos. Às vezes eu levava uma taça de vinho, me inspirava e voltava com uma garrafa inteira só pra rir das babaquices que eu imaginava que poderiam acontecer caso você, não sei, voltasse a viver.
Depois de muito tempo te olhando, resolvi te esquecer dentre as outras peças, afinal, você não respondia e isso começou a te fazer igual a elas. Existe às vezes um apelo sentimental por estas estátuas que estão em nossas vidas, as quais guardamos em uma espécie de museu com seu mais profundo valor, e este apelo sentimental nos faz sentir como se isso as tornasse mais vivas.
Ainda que haja uma personificação da pedra, que é em si o resultado da obra, não se deve confiar a uma pedra o valor que um ser humano de verdade tem. No entanto, como a arte e o amor estão na verdade dentro de nós mesmos, depositamos um conteúdo monumental em pessoas que estão mais para objetos antigos - mas que, convenhamos, devemos, ou preferimos, mantê-las guardadas, ainda que estáticas, em nossos corações.
E ainda assim, depois de muito tempo te olhando, o que era pedra esboçou sorriso, carinho, atenção, passou a falar e a se movimentar, e resolveu sair da estufa. Resolvi apresentar a você o jardim, enquanto você pouco falava por ainda carregar sua personalidade de concreto misturada com as suas emoções. Você viu árvores bem mais frondosas pelo jardim externo, e as borboletas com asas bem mais claras e que viviam na luz não pousaram em você, já que estávamos sempre em movimento, ou rindo de algo conforme você se soltava.
Por fim, algo aconteceu e você retornou à estufa. Te ajudei pelo caminho e você pediu minha mão para te colocar em um pedestal mais alto do que o das outras estátuas. Subiu, solidificou-se, perdeu as expressões e ficou soberano com seu olhar duro e perdido por cima de toda a poeira daquele chão.
Já pensei em te quebrar, algumas vezes, para simplesmente não carregar mais a esperança de que você voltasse à vida, mas preferi deixar assim e sempre te visitar quando houvesse a dor da saudade do dia em que caminhamos por aquele jardim com o barro sob os nossos pés.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Sobre a sua importância
Sabe, eu tenho até que uma curiosidade em saber como é que você vai estar daqui a alguns anos. Não porque as pessoas mudam, mas é que você na sua condição em especial tende a mudar muito, talvez até completamente. E o mais interessante: em aspectos físicos e comportamentais. Ainda que você seja tão esquivo, e tão corajoso em articular suas mentiras, isso não significa que já saiba de tudo e não tenha mais nada a aprender.
Daqui a alguns anos você vai estar mais alto, mais forte, talvez mais magro, talvez saudável, talvez doente - só não sei se mais canalha.
Disseram-me uma vez que é bem na sua idade que as pessoas definem o caráter, e espero assim que seu prazo não tenha expirado, embora, para ser bem sincero, eu realmente não tenha lá grandes esperanças.
Mas por fim, de tudo o que vivemos, por mais plástico que tenha sido, eu prefiro dizer que foi aproveitável. Foi efêmero como o efeito de uma droga bem vagabunda que eu nem me arrisco mais a usar.
Daqui a alguns anos você vai estar mais alto, mais forte, talvez mais magro, talvez saudável, talvez doente - só não sei se mais canalha.
Disseram-me uma vez que é bem na sua idade que as pessoas definem o caráter, e espero assim que seu prazo não tenha expirado, embora, para ser bem sincero, eu realmente não tenha lá grandes esperanças.
Mas por fim, de tudo o que vivemos, por mais plástico que tenha sido, eu prefiro dizer que foi aproveitável. Foi efêmero como o efeito de uma droga bem vagabunda que eu nem me arrisco mais a usar.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Reticências
Eu quis te conhecer, mas não deu tempo.
Eu quis te abraçar, mas não deu tempo.
Eu quis saber qual era o real sentido do seu sorriso, qual era a história que isso ia dar - mas eu tirei o sorriso de você e aí...
não deu tempo.
(E que sorriso, não é mesmo?)
Há pessoas tão preciosas e com uma alma tão *ah* linda que a gente simplesmente acaba não conseguindo manusear, porque é como se ficasse frágil perto dos meus desastrosos trejeitos.
Aí acontece assim como quando você tenta fazer um barquinho de papel quando criança, coloca-o na água e ele se desfaz.
As linhas derretem junto com o papel e tudo se mistura em algo que vai se desvaindo naquele pequeno mar que parece gigantesco na nossa mente.
Eu não posso te pedir perdão, porque perdão a gente pede quando sabe que consegue acertar de novo. Então, se for pra eu falar algo, é pra assumir meu erro e dizer que vou errar pra sempre. Porque é sempre um risco confiar em alguém assim.
E na mente do sóbrio fica um texto despontuado e interrompido.
E resta o silêncio da obrigatoriedade que sinto em respeito a você. Mas espero que esteja bem, porque você merece mais do que eu, mais do que ele, mais do que todos.
Um beijo no seu coração.
Eu quis te abraçar, mas não deu tempo.
Eu quis saber qual era o real sentido do seu sorriso, qual era a história que isso ia dar - mas eu tirei o sorriso de você e aí...
não deu tempo.
(E que sorriso, não é mesmo?)
Há pessoas tão preciosas e com uma alma tão *ah* linda que a gente simplesmente acaba não conseguindo manusear, porque é como se ficasse frágil perto dos meus desastrosos trejeitos.
Aí acontece assim como quando você tenta fazer um barquinho de papel quando criança, coloca-o na água e ele se desfaz.
As linhas derretem junto com o papel e tudo se mistura em algo que vai se desvaindo naquele pequeno mar que parece gigantesco na nossa mente.
Eu não posso te pedir perdão, porque perdão a gente pede quando sabe que consegue acertar de novo. Então, se for pra eu falar algo, é pra assumir meu erro e dizer que vou errar pra sempre. Porque é sempre um risco confiar em alguém assim.
E na mente do sóbrio fica um texto despontuado e interrompido.
E resta o silêncio da obrigatoriedade que sinto em respeito a você. Mas espero que esteja bem, porque você merece mais do que eu, mais do que ele, mais do que todos.
Um beijo no seu coração.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
What time is it?
- Hey, hey!
Dois olhos claros me encarando. Que claros, amava quando ficavam assim. A luz entrando pela janela, e mesmo que aquilo me incomodasse, parecia tão bom. Estava frio e eu me sentia num ninho, e, como disse antes, os primeiros segundos depois de acordar são como uma morfina emocional - os problemas estão tão atenuados, e a parte boa da maçã virada para o lado que a sua mente pode ver.
- Hey, Hey!
- Hmmm... Que horas são?!
- What?!
- Que horas são?
- What do you mean?!
Olho pela janela e aquele céu azul mais azul do que na minha casa. Olho de novo para os seus olhos em cima de mim e seu cabelo pendendo. Nossa, o que está acontecendo?
- Oh, sorry, I just meant... whatever, time to wake up.
Dois olhos claros me encarando. Que claros, amava quando ficavam assim. A luz entrando pela janela, e mesmo que aquilo me incomodasse, parecia tão bom. Estava frio e eu me sentia num ninho, e, como disse antes, os primeiros segundos depois de acordar são como uma morfina emocional - os problemas estão tão atenuados, e a parte boa da maçã virada para o lado que a sua mente pode ver.
- Hey, Hey!
- Hmmm... Que horas são?!
- What?!
- Que horas são?
- What do you mean?!
Olho pela janela e aquele céu azul mais azul do que na minha casa. Olho de novo para os seus olhos em cima de mim e seu cabelo pendendo. Nossa, o que está acontecendo?
- Oh, sorry, I just meant... whatever, time to wake up.
Orlando, Flórida - Fevereiro de 2013
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