"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Uma visita

Que o universo continue entendendo as minhas mensagens de paz. Que os sorrisos continuem sendo mais brandos e sinceros, que as saudações continuem sendo amigáveis. Quero acordar e dividir meu café, quero sentir o gosto dourado do próximo abraço, quero abrir a janela e dizer bom dia e ouvir o grilo dizer boa noite e me sentir envolvido pela brisa, meio com cheiro de chá ou qualquer coisa que você quiser.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sete minutos

Preza-se pela saúde, preza-se pelo coração, preza-se pela flor que você carrega no estômago. Lembro bem do dia em que existia um espelho entre nós, e tudo se confundia ao passo que você praticamente me matava com os seus olhos. E sentindo o prazer daquela morte, e perdendo a noção do tempo, viam-se os dois como se fosse a coisa mais divertida do mundo, e sem sentido nenhum. A interpretação que eu tinha dos seus gestos estava me dando o significado mais nobre que eu já tive a sensação de conhecer. Não sei se era verdadeiro, mas era simplesmente bom. Pois muitas vezes as coisas na verdade não têm cor.

10/06/2014.

Inseparável sinestesia

O mundo está repleto de percepções através das quais vivemos. Bobagem!, eu ousaria dizer que não através, mas tudo o que vivemos são as próprias sensações de um mundo. Seu universo, meu amor, é uma teia de aranhas tecida de uma mistura estonteante de impressões, linhas, cores.

Cria-se uma parede ilusória onde se sustenta um quadro branco qualquer, no qual você toca com a ponta dos dedos e inevitavelmente os perfura, tingindo toda aquela brancura da tela virgem com uma cor alaranjada de sangue seco, que o tempo coagulou depois de anos e anos de prazer.

Debaixo dos seus pés já sofreu a areia poluída de uma praia qualquer, que esfoliava a pele com a felicidade mais imbecil possível de poder estar com tanta gente que um dia iria ter que deitar com as flores e deixar de fazer amor.

De dentro do violão tocado agora pelo garoto que você amava, sai um sorriso composto por dentes brancos e saudáveis que você tanto admirou e pensou que, um dia, iriam morder a tês branca de seu ombro enquanto ele tocasse o seu âmago, provocando-lhe a melhor dor do mundo.

A brasa que sua garganta sentiu ao respirar aquela fumaça com gosto de inseto pela primeira vez te fez tossir, e você tantas vezes repetiu que cada trago começou a lhe trazer mais lucidez, até se tornar um companheiro inseparável daquele líquido dourado que você tomou por anos e anos.

[...]

A vida é tão deliciosa quanto guardar aqueles insetos que brilham e soltá-los de noite.