Cria-se uma parede ilusória onde se sustenta um quadro branco qualquer, no qual você toca com a ponta dos dedos e inevitavelmente os perfura, tingindo toda aquela brancura da tela virgem com uma cor alaranjada de sangue seco, que o tempo coagulou depois de anos e anos de prazer.
Debaixo dos seus pés já sofreu a areia poluída de uma praia qualquer, que esfoliava a pele com a felicidade mais imbecil possível de poder estar com tanta gente que um dia iria ter que deitar com as flores e deixar de fazer amor.
De dentro do violão tocado agora pelo garoto que você amava, sai um sorriso composto por dentes brancos e saudáveis que você tanto admirou e pensou que, um dia, iriam morder a tês branca de seu ombro enquanto ele tocasse o seu âmago, provocando-lhe a melhor dor do mundo.
A brasa que sua garganta sentiu ao respirar aquela fumaça com gosto de inseto pela primeira vez te fez tossir, e você tantas vezes repetiu que cada trago começou a lhe trazer mais lucidez, até se tornar um companheiro inseparável daquele líquido dourado que você tomou por anos e anos.
[...]
A vida é tão deliciosa quanto guardar aqueles insetos que brilham e soltá-los de noite.
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