"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Perdida Flama

"Um vulto e nada. Um vulto não é nada. Um vulto é quando você aparece, diz que liga e não liga, tropa daqui e dali e finge que está a fim. Eucaliptos olorentos me emergiam num verde tão vivo como um pântano ao ermo quando eu lembrei do cheiro de erva que ficava preso à minha roupa quando te via. Camiseta branca, tão bem passada e aconchegante para depois tornar-se verde no aroma que você me apresentou. Pensou que eu já conhecia, mas me introduziu a isso. E depois, partiu. Não sei pra onde é esse onde em que você está, que mesmo estando no mesmo lugar em que eu te encontrava, nunca mais te vejo. Cabelos de fogo esses seus que não sei que ventos que bagunçam, olhos grandes que não sei por quem choram. Boca que não beijava: mordia, e bebia. Não rego mais a telha cheia de menta para não sentir o verde que me lembra você, não faço mais chá, não acendo um cigarro. Engulo canecas de café preto bem torrado como se este não tivesse sabor, porque o mistério das ervas em um bom chá não me saem da cabeça. Esse mundo verde.

Quando eu ouvi a sua voz, sabia que não queria me ver. Você quis me dizer um vá que não saiu da boca, você pensou em tentar me salvar de si mesma e disse o que não foi dito até hoje. Não disse, mas fingiu que sim. É como se seu medo em ser feliz já tivesse superado o meu, quando eu pensava que a loucura do seu coração era um furacão sem tempo pra terminar. E acaba sendo, pois eu posso ainda dizer que existo na sua vida. Nos olhos de outra criança."

Último fragmento, provavelmente de 2010, de um blog anterior que perdi por motivos de censura.

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